domingo, 19 de novembro de 2017

Partir é morrer um pouco...

Ás vezes a vida é um lugar estranho,
com um tamanho que não nos serve
e um apetite cruel que nos sorve sem pedir licença...
Sinto que perdi parte do chão e a parte que resta
não deixa o coração descansar...
Podia chorar, mas chorar desidrata o que me sobra do corpo.
Estou farta da seca lá fora e da tempestade cá dentro
e depois tu morreste.
Amaste-me e morreste.
Ensinaste-me a despedir,
ofereceste-me o ultimo fôlego,
suspiraste como quem retorna ao ventre
e regressa a casa, o meu colo.
E eu ajudei-te, queria fugir dali,
mas fiquei a ver-te espaçar o respirar até ao silêncio ensurdecedor
levar-te de mim...
Assim num segundo em que (de)terminou tudo.
Porque Amar também é saber deixar partir...

terça-feira, 7 de novembro de 2017

How can you stop the sun from shinning?


Lápide

O cavalo soltou o trote do meu peito,
desfeito pela dor e agora corre e morre em liberdade
a saudade sobrevalorizada,  não me traz absolutamente nada!
A vida é uma carta fechada que leio devagar,
nunca tive a arrogância de esperar sorrir sempre,
mas acredito nas tuas asas sobre mim!
Quem ama respira mais fundo
e vê o mundo de uma forma mais clara!
Por isso sinto o teu toque tantas vezes,
o teu abraço, o traço imperfeito do teu rosto...
Um dia a morte vencerá pelo cansaço
e eu vou olha-la nos olhos, perdoá-la e abraça-la!
Dir-lhe-ei ao ouvido que o amor não guarda rancor de ninguém
e tornarei a sua missão mais fácil, dar-lhe-ei a mão
e respirarei uma ultima vez sabendo que não guardo remorsos de nada.
O mundo esquecerá os meus esforços, as minhas conquistas,as minhas derrotas
e sem revoltas, dor ou angustias
só terá uma recordação ténue do amor que se afasta
e isso é o legado que me basta!

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Sim, a Constança Urbano tem direito a almejar as férias.

O que aconteceu em Junho e no dia 15 de Outubro foi uma calamidade, mas não foi culpa da Constança Urbano de Sousa, não foi.
Acho verdadeiramente vergonhoso que metam nas costas de uma mulher a incompetência que tem vindo a ser praticada ao longo de décadas no que diz respeito a protecção das Florestas.
As pessoas que se regozijam com a sua demissão, com o seu: "não aguento mais", que gozam com as lágrimas que verteu e lhe chamam de fraca metem-me nojo porque eu tenho nojo de pessoas hipócritas. As pessoas que a apedrejam publicamente, são as mesmas que metem emojis tristes nas publicações que dizem respeito aos fogos, enquanto estão num jantar de amigos a rir-se às gargalhadas, porque nós podemos continuar a viver e estamos gratos porque não aconteceu connosco, a Constança Urbano é que é uma cabra sem coração porque falou em férias.
De facto as pessoas que morreram não mais terão férias, as pessoas que viram as as suas vidas ardidas, o suor e o sacrifício de largos anos desaparecer em cinzas e lágrimas, não devem estar a pensar em férias de certeza.
Eu vi uma ministra destroçada, uma mulher que só lhe faltou cair de joelhos perante o publico por estar trespassada pela dor e pela impotência e responsabilidade que sentiu. Eu vi alguém que sentiu empatia pela dor dos outros, que admitiu que aquele foi o momento mais dificil da sua vida, não tendo sido a sua vida, ali, reduzida às chamas. Mas a Constança é fraca porque chorou, o Marcelo porque é homem, pode abraçar uma senhora e toda a gente o acha perfeito ( e foi perfeito porque foi empático e se importou).
Claro que se tem de apurar responsabilidades, responsabilidades que vão desde o agricultor que acha que deve fazer queimadas, ao condutor que manda uma beata pela janela, às pessoas que não limpam os terrenos, aos piromaníacos, às madeireiras e outras Empresas que ganham com isso, a nós todos que contribuímos para a mudança das condições climatéricas, a quem planta eucaliptos.
Claro que têm de ser tomadas medidas, preventivas e eficazes que, infelizmente, não se conseguem em 4 meses, porque então o governo anterior e associados têm de enfiar a cabeça num balde de merda e baixar a crista, porque estiveram lá bem mais tempo e não o fizeram.
O problema é que enquanto o Bento Rodrigues que jurou nunca mais ter ferias na vida de certeza, lançou esta acha para a fogueira, o povo sedento de sangue quis logo queimar bruxas e eu, honestamente estou farta de incendiários.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Prarabdha...

Ânsia da distância ingrata
que marca a tua imagem,
tatuagem que se prende à pele
e aprende a linguagem da dor...
Amor ausente num Presente que é presente envenenado...
Passado que impele o Futuro a repetir
e a desistir de mudar.
Inconsciência e consequência num Karma vicioso e viciante,
constante desilusão,
perdão mastigado e vomitado sem culpa...
Desculpa sem remorso, destroço de alma,
palma de flores com cheiro a morte,
consorte do sofrimento, 
lamento sem motivo,
o mesmo sentimento esquivo e destrutivo de sempre...
Amar, sofrer, Amar, doer, Amar...
Morrer...

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

A vã glória de Invernar...

Os Homens ainda não aprenderam a amar para sempre,
ajudam a trazer a vida ao mundo mas não a conservam dentro de si.
Sei que um dia saberemos esperar que a vida renove e  que os amores hibernem e renasçam, sem pressa, sem renuncia, sem desistência

 Sussurro as palavras que as paredes calam,
as paredes, às vezes, falam demais...
O resultado é um murro no estômago do passado.
Tudo o que sinto é aquilo que minto a mim mesma,
uma nesga de história de amor, com memória perturbada pela dor,
mais nada.
Nem sei como começou, mas sei porque acabou tantas vezes.
Somos arquitecturas destruidas e reconstruidas,
puras obras inacabadas, recomeçadas todos os dias.
Não é dificil amar alguém num momento,
porque os momentos são aguas frescas a beijar rios,
Amar para sempre inclui beijar rios que secaram
ou cujas águas estagnaram...
 E os homens têm demasiada sede.

domingo, 17 de setembro de 2017

Escolhas são sabores de gelados...

Gosto de saborear os sonhos,
mesmo os que acabam ou que nem se dignam a começar.
Gosto das possibilidades e das impossibilidades,
das realidades alternativas, das certezas que se constroem
 e se reescrevem em matérias vivas ou enterradas sem corpo, sequer.
O livre arbítrio que não determina coisa nenhuma,
a soma suma de todos os medos,
a coragem que surge e urge pela fraqueza,
a certeza incerta da (in)decisão.
Sei que Amar não basta, mas ajuda muito!
Sei que um beijo de Amor não cura mas amolece a dor!
Sei que sei muito pouco e ainda bem,
ninguém sabe tudo.
A efemeridade é a eternidade do Amor,
um sempre que nos desafia a desafiar a finitude
com uma amplitude arrogante que se recusa a morrer.
E isso é lindo...